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 Equipe Jornal do Brás

 
Morador lembra o Pari antigo em blog PDF
Classificação: / 3
FracoBom 
28-Set-2010
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Dia 9 de novembro próximo o Pari completará 430 anos. De uma simples aldeia de caboclos, oriundos da miscigenação entre os índios e brancos, o bairro foi se transformando. Com a estrada de ferro, houve a industrialização, e surgiram os chacareiros portugueses e em seguida, os operários. E, com as indústrias, vieram as lojas.

O pariense Jaime Antonio Ramos, de 61 anos, em visita à redação do Jornal do Brás, contou que criou na internet um blog que conta essas e outras histórias do bairro do Pari - www.historiasdopari.wordpress.com. Quem tiver fotos antigas do lugar, ele postará no Histórias do Pari.

Jaime é nascido e criado no bairro. Ele nasceu na rua Rio Bonito, 1.470. “Resolvi levantar as histórias que as pessoas me contaram em todos os anos de minha vivência no Pari. Adoro o bairro”, explicou ele, que fez comunhão na Igreja Santo Antônio e casou-se na Igreja Santa Rita.

Seu pai teve armazém de secos e molhados. “Ia muita gente lá bater-papo e contar histórias”, recordou ele.

O blog já possui 41 histórias publicadas. Algumas engraçadas, outras tristes.

 

Um touro na praça

A mais engraçada foi a de um touro que fugiu da Estação de Carga do Pari, indo em direção a Praça Padre Bento (antigo Largo de Santo Antônio do Pari). Naquela época, contou Jaime, havia o “footing” (paquera entre moças e rapazes). A molecada atirava pedra no touro. Aí apareceu um espanhol toureiro de paletó. O touro, então, veio com tudo e pulou o portão de uma casa onde hoje é o supermercado Compre Bem. E levou o paletó dele.

Esse touro, completou Jaime, veio das ruas Monsenhor Andrade e Rodrigues dos Santos. “Morava muita gente no Pari. Dois lituanos laçaram as pernas do touro e conseguiram levá-lo de volta para a estação”, contou o pariense Jaime.

 

Fábricas e Depósitos de Doces

Segundo ele, eram inúmeras as fábricas de doces no Pari, grandes e pequenas. Por esta razão, o Pari é conhecido como o "Bairro Doce" de São Paulo. Depois vieram os depósitos de doces. “Aí começaram a surgir os caminhões de doces que iam à periferia”, disse.

Das fábricas de doces que sobraram, Jaime cita apenas a Bela Vista da rua Canindé.

De depósitos, a Marsil, de revendas de doces, é uma das poucas que restam. “As pessoas hoje compram doces mais sofisticados, não compram muito pé-de-moleque ou paçoca. Muitas fábricas menores não primavam pela higiene e foram fechando. Já as grandes foram sendo englobadas por maiores, como a Nestlé”, explicou ele.

 

Personalidades ilustres do bairro

A professora Dina Marchetti Abad, viúva do saudoso Alcides Abad, é uma dessas personalidades ilustres. “Alcides era cabeleireiro muito antigo do bairro”, contou. Dina, de acordo com Jaime, escreve para o jornal A Voz da Poesia, do Movimento Poético Nacional. A família Marchetti é muito antiga no Pari, disse Jaime.

Bruno, irmão de Dina, era radioamador. “Ele prestava serviço de utilidade pública. Naquela época o radioamador era o top de linha de comunicação. O prefixo se chamava Três Amigos Ricos – 3 AR”.

 

Francolino

O Antonio Francolino, antigo jornaleiro do Pari, teve uma sociedade e resolveu levantar na Câmara Municipal uma data de aniversário para o Pari. “Ele fez a festa do IV Centenário do Pari”, lembrou Jaime.

Francolino, quando se candidatou a um cargo político, ao colocar um outdoor na av. Tiradentes, caiu da escada escorregadia e faleceu, há cerca de vinte anos atrás. Ele era ligado ao saudoso deputado federal Herbert Levy, da UDN, Arena e PDS.

 

Várias etnias num só lugar

“Quando eu nasci, a grande colonização aqui era de portugueses e italianos”. Havia a colônia árabe de cristãos na rua São Caetano, completou. “Depois da Guerra Civil no Líbano, veio muito muçulmano para cá. Os gregos também são antigos no bairro. Os judeus e árabes começaram a montar lojas nas ruas Oriente e Silva Teles, onde até então só existiam residências. Tinha até uma sinagoga judaica israelita”, lembrou Jaime.

Ele ainda explicou que atualmente, os coreanos entraram nas confecções. E os bolivianos atuam no comércio de aviamentos.

 

Origem do Pari

Os caboclos viviam da pesca e armavam cercas de cipós, as armadilhas de pegar peixe, chamadas de pari. Daí surgiu o nome do bairro. “Os índios colocavam uma erva que deixava o peixe tonto. A Câmara Municipal na época proibiu. A atividade servia de sustento para os parienses e as mulheres iam vender os peixes no Centro – rua Direita. Quando surgiu o mercadão (ele não se refere ao atual Mercado Municipal da rua Cantareira, e sim a um mais antigo, do século XVIII), elas perderam os ganhos com a venda”. Os parienses eram biscateiros na época, disse Jaime. “Mandava-se um escravo de cavalo chamar um pariense para realizar consertos de casa”.

 

O Pari de hoje

“O Brás e o Pari tem uma divisão geográfica, mas para mim é uma coisa só. Há uma identidade entre os bairros”, asseverou.

Apesar de o bairro perder espaço nos últimos anos para o comércio, há ruas no Pari exclusivamente residenciais, como as ruas Aparecida, Coronel Morais e Guarantã.

Para Jaime, a ex-prefeita Marta Suplicy engessou o bairro, no tocante a residências. “Ela criou residências para as pessoas de baixa renda. O nativo do Pari não se dá com esse pessoal”, disse.

Ao mesmo tempo, o Alto do Pari foi colocado em processo de tombamento. “Só se pode derrubar para construir um estacionamento e não prédio. Os moradores do Pari não gostaram das obras dela como prefeita”, reclamou Jaime.

 

Abandono da Praça Padre Bento

Jaime disse ainda que a Praça Padre Bento está mal tratada, muito judiada, com muitos mendigos, mesmo com a existência de três albergues no Pari. Mas em comparação com outros bairros, o Pari é seguro. “Até desapropriações na Ponte Pequena a polícia evitou”, disse Jaime, acrescentando: “Deveria ter mais amparo judicial para que se colocassem medidas efetivas de segurança”.

Para ele, é necessário ter mais educação do povo quanto à sujeira, com mais campanhas da Prefeitura.

“O Pari não é um bairro conhecido, ao contrário do Canindé, devido ao estádio da Portuguesa. Somando o Pari, o Alto do Pari e o Canindé, a área não chega a 3 km²”, lamentou Jaime. “A Biblioteca do Pari muitas vezes fica às moscas, sem frequentadores”.

 

Destino da garagem da Araguaia

Ele acredita que a garagem terá um destes três destinos: estacionamento de ônibus e sacoleiros, CDHU, ou mais um albergue.

“Continuem amando este bairro e divulgando. Quem tiver suas propriedades, cuidem delas, arrumem sua calçada e façam a sua parte. Acima de tudo, reivindiquem, junto às autoridades, as reclamações”, disse Jaime, finalizando a entrevista. Contatos pelo fone 3311-0993. 

 

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Esta foto é do arquivo de Domingos Curci Sobrinho e mostra uma cena de uma tarde de domingo do ano de 1950, num Pari praticamente residencial

 

 

 

 

 

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Mais uma relíquia do blog: eis um dos melhores times da década de 40 na região, o Coronel Moraes F.C. O campo ficava onde hoje é a Marsil

 

 

 

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Aqui o antigo estádio da Portuguesa de Desportos, o Ilha da Madeira. Ao fundo, se vê as torres da Igreja Santo Antônio do Pari

 

 
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