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09-Ago-2019
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Síndrome do desgaste por empatia: fadiga da compaixão e empatia tóxica

 

 Marisa Moura Verdade *

 

 

Empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro, tentando compreender suas ideias, emoções e sentimentos. Essa habilidade facilita a aproximação com diferentes pessoas e uma compreensão particular da situação que estão vivendo. Geralmente, experiências empáticas têm aspectos muito positivos, como favorecer a comunicação, o apoio psicológico e a solução de problemas. Na maioria das vezes, inspiram confiança e segurança nos que estão ao redor. No entanto, empatia em excesso pode ser um grande problema para quem é altamente sensível. Uma característica das pessoas demasiadamente empáticas é a sensação de ser uma esponja que absorve emoções e energias do ambiente. Essa experiência gera desconforto e sofrimentos corporificados. Dor de cabeça e sensação de aperto no coração são comuns. A manifestação mais sombria da empatia exagerada é o cultivo de conflitos constantes entre o bom e o mau, o negativo e o positivo. Tal dualidade é muito desgastante, prejudica as  relações interpessoais e o desempenho social. O desequilíbrio da disposição empática forma um conjunto de sintomas denominados Síndrome da Empatia. Quem é altamente sensível é mais exposto ao desgaste por empatia, à fadiga por compaixão e à empatia tóxica. 

Empatia em excesso é fonte de ansiedade e sentimentos de inadequação. No desgaste por empatia ocorre uma mistura entre a experiência do outro e a própria vivência. Não há como identificar e reparar a própria dor e as dores alheias, tampouco é possível reconhecer a necessidade de ajudar o outro. Nesse contexto, é difícil criar distância psicológica para preservar o equilíbrio emocional.  Pessoas empáticas e extremamente sensíveis relatam sentir-se sugadas por emoções e sentimentos  dos outros, sejam parentes, conhecidos ou desconhecidos. O excesso de empatia pode envolver personagens fictícios, inclusive das histórias em quadrinhos. Sem proteção para enfrentar incontáveis sofrimentos, tais pessoas são inundadas por dores que não são as suas. O desgaste decorrente desse excesso de empatia pode surgir de repente, às vezes após um único encontro com alguém que está sofrendo.       

A fadiga por compaixão resulta de preocupações exageradas com a dor emocional dos outros. Alguns empáticos sentem profundo cansaço ao ajudar quem enfrenta dificuldades e situações traumáticas.  Nesses casos, o contato com necessidades alheias gera uma espécie de compaixão culposa, que surge diante das aflições. Tal sofrimento implica um desgaste emocional associado a sentimentos de compaixão e à falta de recursos psicológicos para enfrentar as aflições. Qualquer pessoa pode ser afetada pela fadiga da compaixão, mas esse tipo de desgaste empático é mais comum entre profissionais da ajuda: psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais, enfermeiros e socorristas.

Empatia tóxica também pressupõe empatia em excesso, que suscita uma imensidão de sentimentos e sensações. Nesse caso, o exagero empático dificulta o reconhecimento do estado emocional das outras pessoas, criando uma confusão nociva. Alguns empáticos têm a sensação de absorver emoções negativas do ambiente, sem saber como lidar com elas. Não é fácil compartilhar experiências tóxicas ou justificar as atitudes que causam mal-estar, especialmente quando ocorrem com pessoas queridas. Uma coisa é perceber que a pessoa com quem conversamos está sofrendo, totalmente diferente é encontrar esse sofrimento dentro de nós e não entender sua razão ou como se desligar dele. 

O lado obscuro da pessoa altamente sensível e excessivamente empática está nas lutas travadas dentro de si mesma - contra a tristeza, a escuridão, a dor e a autodestruição. A melhor maneira de enfrentar os desafios de quem sente empatia em excesso é distinguir as próprias emoções das emoções impostas por fatores externos.

 

*Mestre em Educação Ambiental, Doutora em Psicologia, especializada em Psico-Oncologia, pesquisadora do Laboratório de Psicologia Social da Religião do IP-USP.  Autora do livro Ecologia Mental da Morte. A troca simbólica da alma com a morte. (Editora Casa do Psicólogo & FAPESP. 2006). E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email

 

 
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