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Pobreza, Recurso e o nascimento do Amor: mito e reflexão ética

 

Marisa Moura Verdade*

 

Vivemos tempos de incertezas e desesperança. As redes sociais foram escolhidas como local de polarização política e disputas ideológicas. Predomina a intolerância que dispensa o respeito mútuo e transforma adversários em inimigos. Falta empenho honesto na busca de solução para os graves problemas do país. Na clínica psicológica repercutem angústias e medos atribuídos à instabilidade política, grande agenciadora de desconfianças referentes ao futuro próximo. Esse desequilíbrio emocional é associado a fantasias de desamparo e vulnerabilidade. A falta de empatia, inseparável da intolerância, machuca o sentimento de pertencimento e inibe a reflexão psicológica. E é diante de situações conflituosas que a reflexão psicológica é mais necessária, porque envolve decisões existenciais e questionamentos éticos. Daí vem uma pergunta que não quer calar: como resgatar o potencial ético da psique submetida à intolerância?

A mitologia é uma fonte de criação simbólica. Mitos são atemporais, participam da vida humana em qualquer tempo ou local. São a forma original de dar significado ao mundo. Cada mito cria um campo simbólico capaz de estimular diferentes processos da reflexão psicológica, sempre engajada na busca de sentidos. Narrativas míticas são produtos da imaginação. E o que é criado pela imaginação não precisa ser provado nem desmentido, tampouco precisa de aceitação racional. Mitos guardam verdades afetivas, provocam reações psicológicas sobre os múltiplos desafios da vida. Por isso, ajudam a entender as relações humanas e preservam em si a chave para o entendimento do mundo e da nossa mentalidade. Um exemplo pode ser a história do amor gerado pela união de Pênia e Poros – que personalizam a pobreza e a abundância. A leitura do mito pode ser uma oportunidade de exercitar a reflexão psicológica e ampliar a busca de sentidos para além dos enquadres dominantes.

O Mito - Pobreza, Recurso e o nascimento do Amor

Quando Afrodite nasceu os deuses do Olimpo celebraram com uma grande festa. Quando a festa está no fim, chega Pênia, a penúria. Foi buscar restos do banquete. Muito magra, vestindo farrapos, ela é a imagem da carência, da miséria, da falta de recursos. Nesse momento ela vê Poros, o Recurso, também chamado O Esperto. O jovem deus, filho da Prudência, é a personificação da fortuna, da riqueza e da abundância. Embriagado pelo néctar, a bebida divina, ele cambaleia até o jardim. Ali deita e adormece profundamente. Carente de tudo aquilo que Poros possui, Pênia imagina ter um filho dele. Decidida, silenciosamente vai deitar-se ao lado de Recurso. Abraça-o e ele desperta. Assim ela concebe o filho tão desejado – Eros, o Amor. Concebido no dia do nascimento de Afrodite, Eros será para sempre amante da Beleza e servidor do Amor. Da mãe herda a perene sensação de falta, que o faz carente de suavidade e beleza. Isso porque Eros tende a ser bruto, seco, ríspido - contrário ao que a maioria supõe. Como a mãe, ele segue o destino de andarilho em busca de recursos. Em compensação, o legado do pai é a paixão por tudo que é bom e belo: o discernimento, a coragem, a energia e a determinação. A herança paterna o faz destemido, leal e grande caçador. Eros delibera e planeja sua ação, desejando e adquirindo conhecimentos. Assim é criada uma linha imperceptível entre a carência e abundância, a tristeza e a alegria, o vazio e a plenitude. Nessa linha é possível encontrar a tolerância, que é produto e ingrediente do amor - como o zelo, a amizade, a generosidade, o desejo e a paixão, a doação de si.

 

* Mestre em Educação Ambiental, Doutora em Psicologia, especializada em Psico-Oncologia, pesquisadora do Laboratório de

Psicologia Social da Religião do IP-USP. Autora do livro Ecologia Mental da Morte. A troca simbólica da alma com a morte. (Editora Casa do Psicólogo & FAPESP. 2006). E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email

 
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