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Sabáticos e minimalistas... PDF
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10-Mai-2019
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Emidio Severo*

 

Vemos hoje em dia muitos famosos, principalmente artistas e jornalistas, saindo de seus empregos e falando em dar um tempo em suas vidas, porque não aguentam mais a estafa. Vemos até casos de Síndrome de Burnout comprovados.

Esses famosos, como a maioria da população, levantam às 5 da manhã, trabalham o dia todo e ainda, às vezes, trabalham ou curtem à noite. Lógico que o corpo humano não aguenta.

Veja que vivem experiência do mesmo modo que o operariado   durante 30, 40 anos de suas vidas numa mesma fábrica todos os dias. A rotina estressante acaba por levar a síndromes, stress, depressão, dores generalizadas, peso na alma, dor de estômago e todo tipo de distúrbio que só sabe o que é, quem sente. É como se patinasse no gelo ou na lama e não saísse do lugar. E o pior:  no outro dia tem que recomeçar tudo novamente. Afinal os boletos estão chegando.

Alguém dirá. Ora, isso é frescura pois ter um emprego é a melhor coisa da vida. Veja que o equilíbrio de aguentar uma vida estressante de jornalista, advogado, médico, dentista, comerciante, enfermeiro ou operário é para poucos e assim mesmo, esses mais "equilibrados" sentirão o fardo nas costas na velhice, com certeza.

Além do stress no trabalho, muitos ainda se enchem de compromissos como reuniões sociais, baladas, almoços, jantares, amigos malas, problemas familiares, casa de praia, casa de campo, três carrões e tudo o que se possa imaginar para manter o status e mostrar pose. Alguns colocam os filhos para estudar em escola pública, fazem bico, frila, horas extras, mas não abrem mão de seus carrões financiados.

Ainda juntam coisas, bens, trecos, cacarecos e passam a ter que conviver com 5 mil DVDs, 2 mil livros, 300 gravatas, 50 ternos, 100 pares de sapatos e um monte de quinquilharias e certificados que nunca vão usar.

Embora não existe um comportamento padrão para acabar com isso, pois cada um é cada um, na verdade existem meios de se equilibrar e tornar a vida menos estressante. É preciso simplificar, cortar excessos e se conscientizar que existe vida fora do emprego e das rodas sociais. É preciso mudar o comportamento, o pensamento e o modo de vida. Mas é simples assim. Basta querer.

Não falo obviamente em deitar numa rede e fumar um cachimbo pelo resto da vida. Mas deixar as gravatas, paletós e barbeadores de lado não tem preço! Ficar barbado, usar bermudas, chinelos e passear pelas praias, parques, padarias, cuidar dos filhos, netos e da vida pessoal é um alívio! Não ter chefe, rotina certa, pressão, nem compromissos estressantes é a melhor coisa que um ser humano pode ter.

Isso é o minimalismo.

Conheço pessoas que auferem renda de mais de 50 a 100 mil por mês mas que não tem vida. Vai de dono de Cartório, Imobiliária, Comércio, autônomos, intelectuais e altos empregos. Vivem um dia-a-dia estressante administrando seus negócios, aos sábados, domingos e feriados. Para alguns já até aconselhei: vendam tudo e vai viver de renda em Miami ou Portugal que levará uma vida melhor. Deixe de jogar dinheiro fora, deixe de ter prejuízo nos seus negócios, deixe que alguém cuide para você. Mas não querem. Não largam o osso porque querem ocupações, preenchimento, ou talvez ter status e preocupações. Daí tem que pagar um alto convênio médico para usar de vez em quando. Tenho amigos que escrevem três livros por ano, são professores universitários à noite e ainda tem um emprego ou outra atividade diária e recebem uma "merreca" por tudo isso. Outros são comerciantes que tem imóveis próprios e renda suficiente para levar a vida com um bom padrão, mas preferem manter a loja e comércio deficitário. Acumulam, além dos rombos, trabalhos aos sábados, domingos, feriados, natal e ano novo. Vivem estressados e esquecem que se dessem baixa no cnpj, viveria melhor com as rendas próprias da locação dos imóveis e não teria mais tantas despesas. Nem precisaria viver dependurados em dívidas bancárias. Tudo bem. Cada um vive como quer. Mas e os filhos? A vida pessoal e a família como ficam? Se simplificar e cortar os excessos, poderá fazer filantropia e ajudar os mais necessitados e ser mais útil para a sociedade.

Ah tá bom.  Não tem vocação para uma vida minimalista. Que pelo menos experimente um período sabático! Desapegue, delegue. Verás que a vida com menos é mais!

 

*Dr Emidio Severo é Advogado há 40 anos, inscrito na OAB-SP sob n° 58.098. Tem especialização em Direito Civil, Trabalhista, Empresarial e Imobiliário

 

 

 

 
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