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EDIÇÃO 369 - 2ª quinzena de agosto/2019
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A matemática no Parlamento PDF
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21-Fev-2019
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            *José Renato Nalini

           

            Cédric Villani é um famoso matemático, vencedor em 2010 da Medalha Fields, considerada o “Nobel” da Matemática. Participou recentemente do 28º Congresso Internacional de Matemáticos realizado no Rio de Janeiro e é um pop-star dessa disciplina. Suas conferências são prestigiadas porque ele é um entusiasta e dissemina seu fervor pela Matemática, de forma a contaminar jejunos e aqueles que enfrentam dificuldades nessa área tão importante.

            Tornou-se tão famoso, que foi estimulado a disputar uma cadeira no Parlamento francês, pelo “La République en Marche”, partido do Presidente Émmanuel Macron. Elegeu-se, mas não acha fácil atuar no Legislativo: “Cientistas não são preparados para a política. É um ambiente violento, cheio de mentiras e fofocas. A visibilidade, além disso, faz de você um alvo. Todo dia vem alguém te insultar nas redes sociais”.

            De qualquer forma, está convencido de que a política precisa de cientistas. Seja para trazer a ciência para dentro das discussões técnicas, notadamente a questão do meio ambiente, o aquecimento global, as mudanças climáticas, a preservação das espécies, seja para ajudar na comunicação entre a política e as ciências.

            Durante o primeiro ano de legislatura, preparou um relatório com propostas para reformular o ensino da matemática na escola pública e elaborou os alicerces de uma estratégia da França no campo da inteligência artificial.

            Mas o seu amor está mesmo na Matemática. “Ela tem estado comigo há tanto tempo que é como se tivesse nascido dentro de mim, não algo que eu tenha descoberto algum dia”. E apaixona-se por todos os campos matemáticos: “Na adolescência, a geometria clássica foi o meu grande amor. No início dos meus estudos superiores me apaixonei pela álgebra”. Seu namoro atual é com as equações diferenciais parciais. Publicou “Théorème Vivant”, ou “Teorema vivo”, obra em que procura mostrar que apreciar Matemática depende do coração, das emoções, não exatamente do conhecimento técnico.

            Para Villani, a matemática não é uma aventura científica, mas uma aventura humana. Aborda-se a matemática por três vertentes de aventuras: “uma é por meio da aventura das pessoas que participaram delas, seu lado humano. Há também a aventura dos projetos, em que o foco são as questões que ainda faltam ser resolvidas. Por fim, existe uma aventura das ideias, um percurso no qual vamos passando de um problema para o seguinte, mostrando como foram superados”.

            Precisamos de mais Villanis, apaixonados pela Matemática, para transmitir essa paixão ao alunado brasileiro. É sabido que não somos os campeões nessa disciplina, que é sempre um ponto vulnerável na escola pública e na escola particular.

 

*José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e autor de “Ética Geral e Profissional”, 13ª ed., RT-Thomson.        

 
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