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EDIÇÃO 329 - 2ª quinzena de outubro/2017
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 Equipe Jornal do Brás

 
Os cegos estão chorando PDF
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04-Out-2017


São lágrimas de novo e amargo sofrimento do ataque desferido por pessoas integrantes de instituição tradicional em prol da humanidade.

Após quase 100 anos de existência, a Associação Promotora de Instrução e Trabalho para Cegos, começou a passar de diretoria para diretoria, até que, a partir de 2011 tiveram início os descalabros na entidade, tempos após o que, em 2016, os cegos foram proibidos de frequentar a sede própria, cujo estatuto foi alterado, assim como os funcionários e voluntários retirados do local.

Em julho último, a pancada fatal, com a inexplicável demolição da sede própria que tem escritura do patrimônio registrada no 3º Cartório de Ofícios de São Paulo, entre outros patrimônios.

Relatos de ex-diretores

Consta que o então presidente Paulo Rogério alterou o estatuto com mandato de 3 para 8 anos e mudou a denominação da entidade, sem mais a palavra “para Cegos”.

Consta também que vários processos tramitam no Ministério Público, sobre o que os cegos aguardam a decisão judicial.

A par desses fatos, o Jornal do Brás foi ao local da APITC, que agora virou um estacionamento, onde estavam seis cegos frequentadores da entidade e que têm ainda um fio de esperança na recuperação e volta de funcionamento do espaço.

 

 

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Tristeza e decepção

O deficiente visual Carlos Abel trabalhou na APITC de 1979 a 1984, nas Oficinas produzindo as vassouras de piaçava e pelo. E disse: “Sinto-me muito triste com o que aconteceu. Esse espaço era para ter continuado, dando a oportunidade para os deficientes trabalharem”.

 

 

 

 

 

 

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Nova sede no interior do Estado

Outro deficiente visual, Alcides Conceição Neves, lembrou que foi chamado à entidade em 2011, na época em que começou a briga entre diretores. “Depois que o Paulo Rogério entrou, nunca mais tivemos uma associação de verdade”.

Segundo ele, o contador da associação há 10 anos, virou presidente da noite para o dia, após renúncia de Paulo, sem sequer ter eleição e assembleia. E ainda, registraram uma ata no cartório e o contador assumiu a presidência, sem o vice-presidente Luis Carlos Felix (deficiente visual), renunciar. “Fomos muito humilhados aqui dentro”, relatou Alcides.

 

 

 

 

 

 

 

 

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Terreno da APITC, hoje vazio

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Cego não participava de decisões

O ex-vice-presidente da APITC, Luis Carlos Felix da Silva lembrou que trabalhou durante muito tempo em hospital na Radiologia e depois com Tecelagem, até que veio o chamado do ex-presidente Paulo Conprê para integrar a associação.

“Acho uma tristeza o que está acontecendo. Sempre quisemos um espaço aqui na zona leste para os deficientes. Havia trabalho que preenchia a vida do deficiente. A entidade foi tomada de uma forma que até hoje ninguém explica. O cego nunca participou de nenhuma decisão”, lamentou.

Luis Carlos nasceu com glaucoma enxergando pouco e teve um acidente com 16 anos jogando bola, quando perdeu a visão.

Ele disse que a entidade tinha um posto de gasolina no Jabaquara, mas não sabe se ainda funciona e dois boxes, um no Mercadão e outro no Mercado da Lapa. “O cego nunca soube de nada que foi alterado aqui”. 

 

 

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Restaurante e dormitórios

Outro deficiente que frequentava a APITC, José da Silva, nasceu cego. Agora com 57 anos, lembrou que havia na APITC uma convivência legal entre os deficientes, todos eles fabricando vassouras e escovas para venda. Havia inclusive um restaurante interno e dormitórios para centenas de pessoas.

“Nem imaginávamos que este absurdo ia acontecer. Fomos proibidos de entrar porque somos contra a administração atual. Tomaram a associação”, lamentou José, completando: “Se o Ministério Público quiser, resolve isso em 48 horas no máximo”, argumentando que o Ministério Público tem um promotor responsável pela associação e que falta vontade dele em resolver o problema.

 

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Preconceito com os cegos

O advogado Rildo Teixeira também nasceu cego. Tem 47 anos e colabora nos trabalhos para que a entidade seja devolvida aos deficientes visuais. “Dá para trabalhar sossegado com minha deficiência, por meio do braile”.

Rildo lembrou que alguns diretores estão perseguindo o então vice-presidente Luis, sem dar-lhe o direito de defesa. E que não sabe se a APITC foi demolida com permissão da Prefeitura e se o Ministério Público tem conhecimento da demolição do prédio.

E completou: “Tentamos recolocar os cegos na associação, mas não aceitaram. E os diretores prometeram ao promotor da Pessoa com Deficiência que iam fazer cursos, mas não aconteceu nada disso, mas muito pelo contrário, com a demolição”.

Finalizando, disse: “Fizeram o Luis assinar recibo sem Testemunha de Leitura, com o dedo somente”.

 

 

 

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Festas e convivência com vizinhos

Maria Margarida de Castro tem 60 anos de idade. Lembrou que a APITC era uma entidade como dizia a letra do seu antigo hino: “Dos Cegos pelos Cegos e para os Cegos”.

Recordou-se também do antigo presidente Soares, deficiente visual como ela, já falecido. “Até que num descuido do principal interessado que era o cego, houve uma apropriação que infelizmente destruiu a entidade”. Havia festividades na entidade, disse ela, e socialização com o pessoal da vizinhança. “Que a autoridade competente se sensibilize e defina de todas as maneiras, em caráter irrevogável, que a entidade seja devolvida à pessoa com deficiência visual. Vamos elevar o pensamento e conseguir”. 

 

 

 

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Esperança na volta da APITC

Um dos principais abnegados e benemérito da APITC, o capitão Miguel Felício de Albuquerque disse que foi uma tragédia o que aconteceu no Belém, contra pessoas indefesas, que são os cegos. Porém, ele acredita numa solução pelo Ministério Público. “Fui três vezes lá fazer a denúncia, mas ainda não se resolveu”. Finalizando, ele pede que tenham compaixão dos cegos.

 
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