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21-Jun-2017
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Desfaçatez e ética da ambiguidade: a hora do mea culpa

 

 

Marisa Moura Verdade

           

 

               A vida do Brasil parece travada! Nas redes sociais, o desabafo mais frequente é um enfático chega! Quem aguenta um escândalo atrás do outro, cada um agenciando caos político e incertezas? O mais recente sufocou um momento de alívio, quando surgiam pequenos sinais de recuperação da economia e controle da inflação. Desta vez, outros figurões da República – incluindo o Presidente – afundam no mar de lama do compadrio e da propina, prejudicando ainda mais a busca de soluções para a maior crise da história brasileira. Como vencer o imenso esquema de corrupção que causou recessão e 14 milhões de desempregados? A saída para os impasses da política e da economia parece bloqueada. A equação “nós contra eles”, tantas vezes adotada como discurso político, promove rivalidades, disputas e violência. Em vez da colaboração necessária para enfrentar e resolver os graves problemas do país, Suas Excelências oferecem hipocrisia e ganância. Em democracias desenvolvidas, suspeitas e denúncias são suficientes para que uma autoridade pública se afaste do cargo ou renuncie ao mandato. Aqui não, o descaramento é visivelmente assumido como artifício de conduta e de governabilidade.  A desfaçatez, - característica dos caras-de-pau que não sentem culpa nem vergonha por seus atos condenáveis -, atua o tempo todo nos centros de poder do país. Nossos “representantes” estão desprovidos de qualquer senso de grandeza, preferem as práticas da impostura e do clientelismo, do nepotismo e apadrinhamento, dos privilégios partidários e particulares. Nesse contexto, o compromisso coletivo, inerente à administração do bem comum, perdeu o sentido. Os riscos da desagregação social estão implantados. Nesses casos, todo cuidado é pouco! Os efeitos mais cruéis da desagregação social são o empobrecimento da população e a decadência humana.

               Ainda há esperança, felizmente. Milhões de brasileiros anseiam vencer os cartéis da corrupção para fortalecer a democracia e suas instituições. Tarefa hercúlea! É difícil entender a psicologia dos tipos insensíveis à ética, especialmente quando queremos desfazer as tramoias dos poderosos. A imagem formada dos subornáveis sinaliza que são indivíduos ladinos, egoístas, oportunistas, descarados, atentos às chances de burlar o Estado e os cidadãos, irresponsáveis em relação às leis e aos valores comunitários. As condutas mais frequentes entre eles são a apropriação de bens públicos, a sonegação fiscal e o recebimento de propinas. Sabemos que nosso histórico cultural ajuda a formar uma mentalidade corrupta. Nesse contexto tão favorável à corrupção, é fundamental desenvolver a própria reflexão ética. Um dos exercícios propostos é assumir um mea culpa generalizado. As Ciências Políticas informam que a abundância de leis torna a organização da coisa pública mais vulnerável à corrupção. Outros aspectos psicossociais também influem na constância da nossa corrupção política, desta vez implicando quem rejeita os esquemas corruptores. Em algum momento, a conduta ética dos honestos será confrontada com interpelações muito famosas. Exemplo: – “Sabe com quem está falando? Ou: “Sabe quem está desafiando? ”

Aqueles que atuam contra a cultura da “troca de favores” são avaliados como trouxas, babacas ou criadores de caso.  A procura de benefícios valendo-se da influência de alguém é bem comum entre nós. Esse comportamento desvaloriza a conquista pelo mérito. Assim, convivemos com a “ética da ambiguidade” inerente à malandragem, um fator inseparável da nossa corrupção política.  Tal malandragem atingiu níveis tão absurdos que o país clama por uma faxina ética. Na mídia, o esquema atual da corrupção nacional é apresentado como o maior já registrado na política internacional.  Razão de sobra para justificar uma faxina ética de políticas da desfaçatez! Afinal, chegou a hora de impor limites às vigarices que corrompem a democracia e os valores republicanos! As instituições brasileiras estão resistindo ao impacto das crises sobrepostas, apesar da ética da ambiguidade que alimenta a falsidade dos governantes. É imprescindível identificar os desvios éticos despudorados, bem como a defesa de uma ambiguidade ética adotada por lideranças populistas, sempre com a justificativa do “vale tudo” para diminuir a desigualdade social.  É a nossa reflexão que precisa ser desenvolvida para confrontar políticas da desfaçatez e éticas da ambiguidade. Nesse caso, um mea culpa individual envolve a compreensão de que avanços democráticos jamais são conquistados com métodos corruptos. É bom lembrar que a Ética   impõe avaliação de valores que não estão definidos nos termos da lei e dos códigos de conduta, mas estão presentes quando reclamamos de quem desrespeita o bem comum, as diferenças e a construção de uma sociedade mais justa.  

 

Marisa Moura Verdade é Mestra em Educação Ambiental, Doutora em Psicologia, especializada em Psico-Oncologia. Autora do livro Ecologia Mental da Morte. A troca simbólica da alma com a morte. (Editora Casa do Psicólogo & FAPESP). E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email

 

 
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