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22-Abr-2016

Vergonha, uma emoção social.

 

 

ImageMarisa Moura Verdade

 

 

 

Nas últimas semanas, a palavra vergonha foi muito mencionada nas redes sociais e na maioria dos meios de comunicação, refletindo a indignação e o constrangimento de milhões de brasileiros revoltados com escândalos de corrupção envolvendo políticos, grandes empresários e governantes incompetentes, apegados a um projeto de poder populista e insensível aos graves problemas do país.  Vergonha é um tema complicado, trata de uma reação emocional associada ao despertar da autoconsciência e à possibilidade de interferir na regulação do comportamento psicossocial.

A palavra vem do latim – verecundia, derivada do termo  revereri,  no qual re significa para trás, de novo e vereri, respeitar.  A questão do respeito é importante para compreender uma experiência afetiva no mínimo desconfortável e, muitas vezes, extremamente dolorosa. No sentido bíblico, vergonha acompanha a consciência de ter errado e estar exposto ao olhar do Outro.  A reação vergonhosa é descrita como sensação angustiante de humilhação e remorso, que segue a revelação de aspectos pessoais negativos e sombrios, até então escondidos nas profundezas do ser. Essa experiência faz parte do processo de conscientização da condição humana: de ser imperfeito e falível, sujeito a depravações e maldades, capaz de mentir, enganar e trair os demais.  A expressão “ter vergonha na cara” corresponde ao sentimento de inadequação e à preocupação com a imagem pública, particularidades de quem se sente exposto ao julgamento alheio e receia não corresponder a expectativas do grupo ou às próprias.

Nosso corpo demonstra que estamos envergonhados por meio de gestos típicos: mãos na boca, corpo encolhido, desvio do olhar, rubor facial, sorriso forçado. O sofrimento de quem vive um vexame inclui perda da autoestima, necessidade insaciável por aprovação e aceitação social, medo da rejeição ou de não ser amado. Quadro de vergonha debilitante requer ajuda terapêutica para identificar comportamentos inadequados e o valor da responsabilidade pelos erros cometidos, abrindo espaço para os benefícios psicológicos e sociais da reparação. 

Estudiosos da vergonha avaliam que essa emoção social é importante para o desenvolvimento do autoconhecimento e aprofundamento da consciência de si mesmo, sobretudo na esfera da imagem pública. Para sentir-se envergonhado é fundamental a capacidade de reconhecer o valor de um conjunto de normas, regras e objetivos e ter condição de avaliar a própria conduta em relação a tais normas, regras e objetivos.   Estes requisitos permitem comparações entre o mundo interno e o mundo exterior, entre estados individuais e situações vividas por outras pessoas.  A vergonha pode mediar a conservação ou recuperação do equilíbrio social, integrando mecanismos das emoções autoconscientes que preservam a boa convivência. Melindres disparam preocupações em apaziguar desentendimentos, mortificações agenciam laços afetivos de compreensão e respeito, afrontas exigem a reparação de uma imagem negativa de si mesmo e do grupo que representa. O que denominamos “vergonha alheia” é a indignação com quem deveria sentir vergonha e não sente, demonstrando indiferença em relação aos direitos alheios e à justiça. Infelizmente, em todo lugar e em todas as épocas, existem pessoas que se sentem moralmente superiores e com direito de explorar e prejudicar os outros. Hitler é um exemplo. Nesses casos, a sociedade cedo ou tarde retira o poder do tirano, se possível atende as necessidades das vítimas e luta para recuperar a nobreza da vergonha e o respeito ao direito alheio e à justiça.

 

Marisa Moura Verdade é Mestra em Educação Ambiental, Doutora em Psicologia, especializada em Psico-Oncologia. Autora do livro Ecologia Mental da Morte. A troca simbólica da alma com a morte. (Editora Casa do Psicólogo & FAPESP). E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email

 

 
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