hostconect.net
Jornal do Brás Advertisement
Início seta Notícias Jornal do Brás seta Edição 271 seta QUALIDADE DE VIDA
16-Jul-2020
 
 
Menu Principal
Início
Edições Jornal do Brás
Notícias Jornal do Brás
Expediente
Links
Contato
Procurar
A História do Jornal
Jornalista Edu Martellotta
Cadastro de Empresas
Onde estamos
Campanha de Assinaturas
Jornal "O Braz"
Aniversário do Brás
Revista O Brazinha
Edições Jornal do Belém
EDIÇÃO 385 - 2ª quinzena de abril/2020
Image                                      

Jornal do Belém Ed 2 - 12/03/2020
Image  
Redes Sociais
Image


Jornal do Brás

 

Image

 

Jornal do Brás

 

 

Image

 

Tarde de Chá

Estatísticas
Visitas: 8235663
QUALIDADE DE VIDA PDF
Classificação: / 0
FracoBom 
06-Mai-2015
Image

Quando a culpa sempre é dos outros...

            Marisa Moura Verdade

 

Entre nós, brasileiros em geral, é bem comum culpar outras pessoas ou as condições externas por erros e fracassos pessoais.  Muitas vezes, a expressão “eu não tive culpa” está implícita nas justificativas para nossos atrasos, faltas ou esquecimentos. Culpa, vergonha e responsabilidade são temas entrelaçados, um intensifica o outro. Este trio tem relação com a censura, a repreensão, o sermão, aquele pito com o dedo em riste, marcando o julgamento de algo ou alguém como desonesto, feio, mal-intencionado. A culpa refere a algo errado que fizemos, a vergonha diz que algo está errado com a nossa pessoa. Se a culpa sinaliza que alguma coisa que fizemos é ruim, a vergonha indica que nós é que somos maus. Ambas são emoções incapacitantes, frequentemente causam imobilização, inibem a vontade e a motivação para ser uma pessoa melhor. Não trato aqui da culpa religiosamente significativa, mas de sentimentos enraizados nos processos socioculturais. Ao buscar culpados para nossas dificuldades e tribulações, assumimos o papel de vítimas. A vitimização alivia a culpa e a vergonha por falhas e negligências, oferecendo um conforto momentâneo. A experiencia de ser vítima de alguém ou de forças externas invencíveis não é nada agradável, porém nos faz inocentes diante dos desentendimentos e malfeitos. Como vitimas de circunstâncias adversas, temos o “direito” de reagir com raiva ou egoismo perante a má sorte ou um destino infeliz.  

Discussões envolvendo a responsabilidade pessoal por atitudes e comportamentos são delicadas e constrangedoras para a maioria das pessoas. O problema é que procurar culpados não resolve nada, apenas cria uma existência limitada. Responsabilizar os outros por nossas dificuldades particulares envolve uma dinâmica psicológica bem primitiva, denominada mecanismo de projeção. Projetamos na exterioridade conteúdos internos desconhecidos, ameaçadores ou negativos. A dinâmica projetiva situa o bom na própria subjetividade e o ruim no lado de fora, no mundo externo. Deste prisma, a autoestima segue um padrão de pensamento do tipo: eu sou bom X o mundo é ruim e me obriga a ser mau.

Cada revés da vida, cada derrota, cada dificuldade traz em si uma semente da evolução psicológica e espiritual. Para cultivar essa semente, é fundamental que a vontade desperte para a transformação de si mesmo e do mundo. A importância de assumir responsabilidade por tudo o que a vida nos traz de bom e ruim, é a possibilidade de enriquecer as experiências particulares. Isso acontece quando identificamos as contribuições de cada contexto existencial ao desenvolvimento do autoconhecimento. Mudanças existenciais dependem de uma visão de mundo ampla e aberta a novos modos de ser e estar em relação a si mesmo, aos outros e ao ambiente em geral. Para isso, é fundamental assumir responsabilidade por si mesmo - por aquilo que gosta e por tudo que não gosta na própria vida. São as experiencias desafiadoras que oferecem a oportunidade de reconhecer e alterar a condição de vítima. Será que enxergamos diversas maneiras de lidar com a situação atual?  Que tal observar se isso reflete o modo habitual de tratar as próprias necessidades físicas, mentais e emocionais?  Neste instante, sentimos que o mundo está nos tratando mal? Há muita preocupação com o que os outros esperam de nós? Apreciamos o tempo necessário para explorar nossos anseios sentimentais e ambições profissionais?  Como anda nossa autoestima?  Já imaginamos maneiras de ampliar os limites da percepção de nós mesmos? Reflexões desta natureza são um passo inicial para quem busca mudanças na maneira de ver a vida.

 

Marisa Moura Verdade é Mestra em Educação Ambiental, Doutora em Psicologia, especializada em Psico-Oncologia. Autora do livro Ecologia Mental da Morte. A troca simbólica da alma com a morte. (Editora Casa do Psicólogo & FAPESP). E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email

 
< Anterior   Próximo >
 
Top! Top!