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Prezados Amigos,
Prezadas Amigas,


Permitimo-nos apresentar para sua apreciação, a primeira edição do Jornal do Belém, de portas abertas e páginas abertas à disposição dos moradores da região, empresários, autoridades, lideranças comunitárias e simpatizantes, com a mesma dedicação dos mais de 30 anos de nosso Jornal do Brás.
Ao ensejo, rogamos seu incentivo para essa nova bandeira da Região Brás/Belém.

Abraço Fraterno,
Milton George

 


 
Quando o Brás fez parte de minha vida PDF
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FracoBom 
07-Ago-2013
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Depoimento de Decio Drummond

 

Foi há tanto tempo...Nem me atrevo a fazer as contas.

No fim dos anos quarenta vim para São Paulo, a fim de cursar Filosofia na USP. Naquele tempo ainda não existia a Cidade Universitária e a Faculdade de Filosofia ficava na rua Maria Antonia, também de muita saudosa memória, mas isso é outra história.

Vim de trem, naquele magnífico noturno que não existe mais. Desembarquei na Estação do Norte, carregando uma pesada mala, pois já estava vindo para ficar e o curso, para o qual eu já estava aprovado e matriculado, iria começar dentro de vinte dias. Sozinho em uma cidade totalmente estranha e sem saber para onde ir, decidi que o melhor seria ir para um hotel ali perto. Carregando aquela mala, atravessei a avenida e fui a um hotelzinho bem em frente à estação. O hotel parecia tão vagabundo para meus padrões, que pensei: se houvesse categoria para hotel ordinário, aquele certamente receberia vinte estrelas. O encarregado da portaria, evidentemente alcoolizado, entregou-me uma chave, após preencher uma ficha, e eu mesmo precisei procurar a porta correspondente ao número da chave. Tudo muito refinado e sofisticado...Deixei a mala no quarto e saí para fazer uma refeição em algum lugar. Depois de passar a noite no trem, eu estava com muita fome.

E foi ao pisar na rua que se deu o deslumbramento, pois encontrava-me em pleno Largo da Concórdia tendo o Teatro Colombo diante de mim. Na fachada do teatro vários cartazes anunciavam óperas e concertos. Fui caminhando pela avenida ao lado do Colombo, sentindo-me imediatamente à vontade e em casa. No dia seguinte, perguntei ao funcionário da portaria do hotel, se sabia de alguém que alugasse um quarto por ali. Sim, pois todos os meus instintos eram eloquentes em afirmar que aquele era o bairro onde queria morar.

O porteiro indicou-me a casa de Dona Pequenina, na rua Caetano Pinto, perto da Igreja. Fui até lá, um casarão, bem no estilo arquitetônico do início do século, ou dos anos vinte.

Dona Pequenina era uma senhora gorda, italianada, que imediatamente me adotou. Como exigi ficar em quarto individual, nunca em vaga para estudante, ela me instalou em quarto reservado para casal. Depois de buscar minha pesada mala no hotel e de pagar a diária, voltei ao simpático casarão da Caetano Pinto, onde passei a morar.

Fui muito feliz ali, muito fácil a adaptação ao curso e às normas da casa de Dona Pequenina. Costumava ficar estudando após as aulas na biblioteca da faculdade, de onde só me retirava quando me expulsavam na hora de fechar.

Porém, o melhor de tudo era mesmo o Brás. Os cinemas me encantavam, todos enormes, palacianos, confortáveis: o Universo, com sua sala de espera que mais parecia um salão de baile; o Brás-Politeama e sua decoração colorida; o Oberdan, suntuoso, uma beleza; um pouco mais longe, na rua do Gasômetro, o Glória, lindo, com sua atmosfera belle époque. E, é claro, o Teatro Colombo, com temporadas líricas anuais paralelamente ao Teatro Municipal, com cantores europeus trazidos em sua maioria do Scalla de Milão. Foi no Colombo que experimentei a enorme emoção de assistir à minha ópera favorita de Verdi, com Mario Del Mônaco no papel de Manrico, o trovador.

Mas, o melhor de tudo eram mesmo as pizzarias. Que festa sair de um cinema, ou de uma ópera e entrar em uma daquelas enormes tratorias, sempre cheias de gente simpática e tagarela. Sentia-me tão em casa como se houvesse nascido no velho casarão da Caetano Pinto e não na austera fazenda de Itabira em Minas Gerais.

Sim, a vida é uma engrenagem em constante mutação.

Em minha trajetória, percorri toda uma circunferência, até que, atualmente, aos oitenta e seis anos de idade, voltei a morar no Brás. Estranhos são os desígnios do destino.

Hoje, onde está o Teatro Colombo do Largo da Concórdia? Onde estão os enormes e luxuosos cinemas? E as pizzarias com perfume de orégano, o que foi feito delas?

Vejo tudo tão diferente, tão cheio de gente, tão comercial, que nem reconheço a rua Caetano Pinto.

Parafraseando o poeta Paul Verlaine: Ah, Brás, o que fizeste de minha juventude?...

 

Decio Drummond, 86, é escritor e professor aposentado.

 
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