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04-Jun-2013
A busca do corpo perfeito

 

ImageMarisa Moura Verdade

 

A busca do corpo perfeito é tema sugerido por leitores desta coluna.  O assunto é importante e bem complicado, tendo em vista as múltiplas dimensões da vida corporal. Nosso corpo é inseparável da existência e da comunicação verbal e não verbal, é ele o mediador das relações que estabelecemos com o mundo interior e exterior. Essa intermediação jamais é neutra, varia conforme nossa organização psíquica, a situação vivida e o contexto socioambiental no qual estamos inseridos.  Sensações de prazer e alegrias do bem viver são vividas corporalmente, igualmente os sofrimentos físicos e psicológicos. Nascer, crescer, envelhecer e morrer são, essencialmente, contingências da vida corpórea. Cada etapa do desenvolvimento físico, do amadurecimento psicológico e da evolução espiritual é corporificada e rica em sentidos existenciais. Nas sociedades tradicionais, os mais jovens aprendiam a respeitar e reverenciar os mais velhos e sua experiência de vida. Nas atuais sociedades de consumo, é bem diferente: o envelhecimento tende a ser desvalorizado, evoca decadência física e mental, lembra finitude e perdas na qualidade de vida. Entre nós, a juventude é supervalorizada e modela padrões de beleza e vitalidade predominantes na mentalidade coletiva. O corpo ideal é jovem e saudável, esbelto e vigoroso. Essa concepção idealizada é acompanhada de imagens de corpos malhados, lipoaspirados e siliconados. É um padrão em franca oposição à realidade do corpo vivido: este é exposto à doença e ao envelhecimento, e segue a poderosa morte. Tamanho contraste gera frustrações diante do espelho e insegurança psicossocial. A insatisfação com o próprio corpo é generalizada. Pesquisas realizadas por empresas de cosméticos revelam que apenas 2% das mulheres estão satisfeitas com sua aparência física e trocariam 25% da própria inteligência por 25% mais de beleza.  Homens também demonstram insatisfação com o corpo, entre eles a procura de cirurgia plástica aumentou de 5% para 30% nos últimos anos.

A busca do corpo ideal pode envolver angústias associadas à passagem do tempo e ao surgimento das rugas, obsessões com a saúde, com o peso e com a força muscular. Muitos desenvolvem rituais de controle e manutenção, tais como contínuo check-up das diferentes funções físicas, massagens, saunas, academias, bronzeamento artificial. Adolescentes e adultos sofrem com distúrbios alimentares ou sacrificam intermináveis horas do dia a dia na musculação, locando a felicidade pessoal na anatomia ou na balança. A obsessão é capaz de escravizar e entorpecer pessoas em busca de defeitos na aparência e dobrinhas de gordura, gerando complexos de inferioridade e submissão a dietas milagrosas, privação nos contatos sociais, retraimento nas trocas afetivas e sexuais. Os quadros mais graves precisam de acompanhamento médico e psicológico.  De modo geral, considera-se que elegância física e boa saúde resultam de alimentação equilibrada, aceitação da compleição geneticamente estabelecida e autonomia frente aos padrões impostos pela sociedade de consumo.  Aqueles que conseguem seguir o próprio caminho, emancipados dos padrões dominantes, demonstram satisfação com a própria aparência e capacidade de viver a vida com mais liberdade e prazer. 

 

Marisa Moura Verdade é Mestra em Educação Ambiental, Doutora em Psicologia, especializada em Psico-Oncologia. Autora do livro Ecologia Mental da Morte. A troca simbólica da alma com a morte. (Editora Casa do Psicólogo & FAPESP). E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email

 

 

 

 
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